terça-feira, 26 de junho de 2007
MENSAGEM DO DIA 29/06/07
Porque Matar Seu Filho?
Os três funcionários daquela secção já não eram apenas colegas de trabalho, eram bons amigos. A senhora que ocupava o cargo de chefia era uma espécie de mãe para os dois rapazes que dividiam com ela as atividades diárias. O horário de expediente não era próprio para intensificar a amizade, e o tempo do cafezinho era curto para travar uma conversa mais demorada, por essa razão o moço Ronaldo, já casado, convidou o amigo para visitar sua casa. Raul, o jovem solteiro, passou a freqüentar o lar do colega e os laços do afeto se estreitaram também com sua jovem esposa. Passado algum tempo, o casal comemorava o nascimento da primeira filha. A alegria tomou conta daquele lar com a chegada da pequena Ana Cláudia. O tempo passou e um dia Ronaldo chegou ao trabalho meio cabisbaixo, o que não passou despercebido ao amigo, sempre atencioso e sensível. O que está acontecendo, meu amigo? Perguntou Raul. Ronaldo disse-lhe que algo o estava preocupando muito, mas agora não era o momento para falar no assunto. Naquele dia ele convidou Raul para tomar o cafezinho, alguns minutos antes. Precisava desabafar. Mal se sentaram à mesa e Ronaldo disse ao amigo: você sabe que minha filha acaba de fazer dez meses e minha esposa está grávida outra vez? Não deu tempo para o amigo se manifestar e completou, aborrecido: mas eu não vou aceitar esse filho. Já marcamos o aborto para amanhã cedo. Vamos tirar a criança. Raul sentiu como se o chão lhe faltasse sob os pés. Como cristão, não conseguia entender como um pai e uma mãe têm coragem de cometer um crime desses. Ronaldo continuou suas justificativas dizendo: não dá para aceitar um filho logo em seguida do outro. Nossa menina está com apenas 10 meses... Raul agora entendera melhor as razões do amigo e perguntou com sincera vontade de obter uma resposta séria: mas, e por que você deseja matar seu filho? A pergunta caiu como uma bomba no coração de Ronaldo. Ele ainda não havia pensado na gravidade da situação. Pensara em aborto, mas não no que ele representa: um homicídio. Raul ainda lhe fez mais uma pergunta: e se sua filha vier a falecer, como ficarão as coisas? Ronaldo ficou desconcertado, abaixou a cabeça, terminou de tomar seu café e voltaram, ambos, para o trabalho. Raul tinha atividades no seu templo religioso e como a reencarnação é parte das suas convicções, rogou com fervor a Deus para que salvasse aquela criança. No dia imediato os dois chegaram à secção, no período da tarde, pois trabalhavam só meio expediente, mas Raul não teve coragem de perguntar nada ao amigo. Temia pela resposta. Mas Ronaldo tomou a iniciativa, dizendo: minha esposa e eu não conseguimos dormir esta noite... O coração do amigo bateu acelerado..., mas não falou nada. Logo Ronaldo concluiu: resolvemos deixar que venha mais um... Raul explodiu em lágrimas de profunda alegria e alguns meses depois estava na festa de um ano de Ana Paula, a segunda filha do casal, contemplando, feliz, o paizão exibindo as duas meninas, uma em cada braço. O tempo passou e um dia, após retornar de breve viagem, Raul não encontrou o amigo na repartição, e quis saber o que havia acontecido. A chefe lhe falou: então você ainda não sabe? Não, me diga o que houve, por favor. E a notícia lhe abalou novamente a estrutura ao ouvir a resposta: A filha mais velha do Ronaldo faleceu. Raul dirigiu-se imediatamente para o lar dos amigos para encontrar o casal em profunda tristeza. Ronaldo, que chorava discretamente com a filha adormecida em seu colo, disse com profunda dor ao amigo: Quero lhe agradecer por ter salvado minha vida. Sim, porque se você não tivesse evitado que eu matasse Ana Paula, a essa hora eu já teria matado a mim, movido pelo remorso e pelo desespero. Os amigos se abraçaram e choraram juntos por algum tempo. Mas Raul não esqueceu de agradecer a Deus por ter atendido as suas preces, poupando a vida daquela criança, que agora dormia, serena, no colo do pai, que um dia havia pensado em mata-la, no ventre da mãe.
Pense Nisso e Tenha Um Bom Dia!
MENSAGEM DO DIA 28/06/07
Olhar de Amor
Foi um choque para aquela jovem mãe quando recebeu o diagnóstico de câncer. Sucederam-se os tratamentos e, naquele dia, após o internamento, quando ela voltava para casa, se sentiu muito triste. Ela estava consciente da sua aparência. Estava sem cabelos, por causa da radioterapia. Sentia-se desencorajada. Seu marido continuaria a amá-la? E seu filho? Ele tinha apenas seis anos. Quando chegou em casa, sentou-se na cozinha, pensando em como explicar a seu filho porque estava tão feia. Ele apareceu na porta e ficou olhando-a, curioso. Quando ela iniciou o discurso que ensaiara para ajudá-lo a entender o que via, o menino se aproximou e se aconchegou em seu colo, quietinho, a cabeça recostada em seu peito. Ela acariciou a cabecinha do filho e disse: "você vai ver como daqui a pouco o meu cabelo vai crescer e eu vou ficar melhor, como era antes". O menininho se levantou, olhou para ela, pensativo. Depois, com a espontaneidade da sua infância, respondeu: "seu cabelo está diferente, mãe. Mas o seu coração está igualzinho." A mãe não precisava mais esperar por daqui a pouco para melhorar. Com os olhos cheios de lágrimas, ela se deu conta de que já estava muito melhor. O essencial é invisível aos olhos, dizia o pequeno príncipe, no livro de Antoine de Saint Exupéry. Quem ama vê além da aparência física e é isto que ama: a essência. Por isto os casamentos em que o amor é o autêntico laço de união perdura, apesar dos anos transcorridos. Para quem têm olhos de amor, o olhar penetra além do corpo físico que perdeu um tanto do vigor e já não apresenta a exuberância plástica dos verdes anos. Para esses, o amor amadurece a cada ano, solidificando-se a cada dificuldade enfrentada, a cada óbice superado, a cada batalha vencida. Enquanto os cabelos vão sendo prateados pelo exímio pintor chamado tempo, e a artista plástica chamada idade vai colocando pequenos sinais na face, aqui e ali, o amor mais cresce. O sentimento se engrandece à medida que o passo deixa de ser tão vigoroso e um se apóia no outro para descer os degraus, para subir uma escadaria. A solidariedade se torna mais intensa, enquanto a vista se embaça um pouco e o extraordinário computador que é o cérebro já não consegue fazer as corretas equações matemáticas, para aquilatar se dá ou não tempo para atravessar a rua. Uma mão segura a outra, muda, para afirmar: esperemos um pouco. Envelhecer ao embalo do amor é maravilhoso. Desfrutar do aconchego um do outro é reconfortante. Felizes os casais que envelhecem juntos. Felizes os filhos que sabem aproveitar da companhia generosa de pais e avós que o tempo alcançou.
..............................................
De todos os momentos da vida os mais preciosos são os desfrutados com amor. Quando as dificuldades se avolumam, os problemas crescem, os dias solitários chegam, é maravilhoso ter momentos de carinho para serem recordados. Momentos que recebemos ou que ofertamos. Momentos que nos fizeram extremamente felizes. Momentos que, revividos, pelos fios invisíveis do pensamento, ainda nos reconfortam e aquecem o coração. Por tudo isso, ame muito e permita-se amar por seus amores.
Foi um choque para aquela jovem mãe quando recebeu o diagnóstico de câncer. Sucederam-se os tratamentos e, naquele dia, após o internamento, quando ela voltava para casa, se sentiu muito triste. Ela estava consciente da sua aparência. Estava sem cabelos, por causa da radioterapia. Sentia-se desencorajada. Seu marido continuaria a amá-la? E seu filho? Ele tinha apenas seis anos. Quando chegou em casa, sentou-se na cozinha, pensando em como explicar a seu filho porque estava tão feia. Ele apareceu na porta e ficou olhando-a, curioso. Quando ela iniciou o discurso que ensaiara para ajudá-lo a entender o que via, o menino se aproximou e se aconchegou em seu colo, quietinho, a cabeça recostada em seu peito. Ela acariciou a cabecinha do filho e disse: "você vai ver como daqui a pouco o meu cabelo vai crescer e eu vou ficar melhor, como era antes". O menininho se levantou, olhou para ela, pensativo. Depois, com a espontaneidade da sua infância, respondeu: "seu cabelo está diferente, mãe. Mas o seu coração está igualzinho." A mãe não precisava mais esperar por daqui a pouco para melhorar. Com os olhos cheios de lágrimas, ela se deu conta de que já estava muito melhor. O essencial é invisível aos olhos, dizia o pequeno príncipe, no livro de Antoine de Saint Exupéry. Quem ama vê além da aparência física e é isto que ama: a essência. Por isto os casamentos em que o amor é o autêntico laço de união perdura, apesar dos anos transcorridos. Para quem têm olhos de amor, o olhar penetra além do corpo físico que perdeu um tanto do vigor e já não apresenta a exuberância plástica dos verdes anos. Para esses, o amor amadurece a cada ano, solidificando-se a cada dificuldade enfrentada, a cada óbice superado, a cada batalha vencida. Enquanto os cabelos vão sendo prateados pelo exímio pintor chamado tempo, e a artista plástica chamada idade vai colocando pequenos sinais na face, aqui e ali, o amor mais cresce. O sentimento se engrandece à medida que o passo deixa de ser tão vigoroso e um se apóia no outro para descer os degraus, para subir uma escadaria. A solidariedade se torna mais intensa, enquanto a vista se embaça um pouco e o extraordinário computador que é o cérebro já não consegue fazer as corretas equações matemáticas, para aquilatar se dá ou não tempo para atravessar a rua. Uma mão segura a outra, muda, para afirmar: esperemos um pouco. Envelhecer ao embalo do amor é maravilhoso. Desfrutar do aconchego um do outro é reconfortante. Felizes os casais que envelhecem juntos. Felizes os filhos que sabem aproveitar da companhia generosa de pais e avós que o tempo alcançou.
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De todos os momentos da vida os mais preciosos são os desfrutados com amor. Quando as dificuldades se avolumam, os problemas crescem, os dias solitários chegam, é maravilhoso ter momentos de carinho para serem recordados. Momentos que recebemos ou que ofertamos. Momentos que nos fizeram extremamente felizes. Momentos que, revividos, pelos fios invisíveis do pensamento, ainda nos reconfortam e aquecem o coração. Por tudo isso, ame muito e permita-se amar por seus amores.
MENSAGEM DO DIA 27/06/07
Aproveitar a Vida
Você aproveita a vida? É muito comum ouvir as pessoas, e principalmente os jovens, dizendo que querem aproveitar a vida. E isso geralmente é usado como desculpa para eximir-se de assumir responsabilidades. Mas, afinal de contas, o que é aproveitar a vida? Para uns é matar-se aos poucos com as comilanças, bebidas alcoólicas, fumo e outras drogas. Para outros é arriscar a vida em esportes perigosos, noitadas de orgias, consumir-se nos prazeres carnais. Talvez isso se dê porque muitos de nós não sabemos porque estamos na Terra. E por essa razão desperdiçamos a vida em vez de aproveitá-la. Certo dia, um jovem que trabalhava em uma repartição pública na companhia de outros colegas que costumavam reunir-se todos os finais de expediente para beber e fumar a vontade, foi convidado a acompanhá-los. Ele agradeceu e disse que não bebia e que também não lhe agradava a fumaça do cigarro. Os demais riram dele e lhe perguntaram, com ironia, se a religião não lhe permitia, ao que ele respondeu: "a minha inteligência é que me impede de fazer isso". E que inteligência é essa que não lhe permite aproveitar a vida? Perguntaram os colegas. O rapaz respondeu com serenidade: "e vocês acham que eu gastaria o dinheiro que ganho para me envenenar? Vocês se consideram muito espertos, mas estão pagando para estragar a própria saúde e encurtar a vida, que para mim é preciosa demais. Observando as coisas sob esse ponto de vista, poderemos considerar que aproveitar a vida é dar-lhe o devido valor. É investir os minutos preciosos que Deus nos concede em atividades úteis e engrandecedoras. Quando dedicamos as nossas horas na convivência salutar com os familiares, estamos bem aproveitando a vida. Quando fazemos exercícios, nos distraímos no lazer, na descontração saudável, estamos dando valor à vida. Quando estudamos, trabalhamos, passeamos, sem nos intoxicar com drogas e excessos de toda ordem, estamos aproveitando de forma inteligente as nossas existências. Quando realmente gostamos de alguma coisa, fazemos esforços para preservá-la. Assim também é com relação à vida. E não nos iludamos de que a estaremos aproveitando acabando com ela. Se você é partidário dessa idéia, vale a pena repensar com seriedade em que consiste o aproveitamento da vida. E se você acha que os vícios lhe pouparão a existência, visite alguém que está se despedindo dela graças a um câncer de pulmão, provocado pelo cigarro. Converse com quem entrega as forças físicas a uma cirrose hepática causada pelos alcoólicos. Ouça um guloso inveterado que se encontra no cárcere da dor por causa dos exageros na alimentação. Visite um infeliz que perdeu a liberdade e a saúde para as drogas que lhe consomem lentamente. Observando a vida através desse prisma, talvez você mude o seu conceito sobre "aproveitar a vida"
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A vida é um poema de beleza cujos versos são constituídos de propostas de luz escritas na partitura da natureza, que lhe exalta a presença em toda parte. Por consequência, a oportunidade da existência física constitui um quadro à parte de encantamento e conquistas, mediante cuja aprendizagem o espírito se embeleza e alcança os altos planos da realidade feliz.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
MENSAGEM DO DIA 26/06/07
Tolerância
A tolerância não é um estado de esforço supremo, no qual internamente se detesta o que se tem de tolerar, no qual se consulta a toda hora o relógio para ver quando vai terminar. Este mundo em que vivemos, ninguém quer ser mártir, todos queremos ser felizes. A pessoa que causa problema é aquela que está perturbada, é aquela cuja própria felicidade foi roubada.Com tolerância, sou capaz de lhe devolver essa felicidade, fazer com que ela se sinta bem. Tolerar não significa criar rugas, senão evitá-las e ter uma vida mais saudável, física e mentalmente.
PENSE NISSO E TENHA UM BOM DIA!
PIADA DO DIA
Coisas de Minas !!
Os dois cumpadres pitavam o cigarrim de paia e proseavam. Um deles pergunta:
- Ô cumpadre, cumé que chama mermo aquela coisa que as muié tem (faz um sinal com as duas mãos), quentim, cabeludim, que a gente gosta, vermeia e que come terra?
- Uái... (Olha para o sinal das duas mãos) Quentim...Vermeia.
A gente gosta?
- Uái, sô, só pode ser xereca. Mas eu num sabia que comia terra, sô!
O outro, dá uma pitada no cigarro:
- Pois come, cumpadre.
Só di mim, cumeu três fazenda.
Os dois cumpadres pitavam o cigarrim de paia e proseavam. Um deles pergunta:
- Ô cumpadre, cumé que chama mermo aquela coisa que as muié tem (faz um sinal com as duas mãos), quentim, cabeludim, que a gente gosta, vermeia e que come terra?
- Uái... (Olha para o sinal das duas mãos) Quentim...Vermeia.
A gente gosta?
- Uái, sô, só pode ser xereca. Mas eu num sabia que comia terra, sô!
O outro, dá uma pitada no cigarro:
- Pois come, cumpadre.
Só di mim, cumeu três fazenda.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Primogênitos são mais inteligentes, diz estudo
CLAUDIO ANGELOEditor de Ciência da Folha de S.Paulo
Você acha seu irmão mais velho um metido? Pois acostume-se: um estudo publicado hoje mostra que os primogênitos realmente são, em média, mais inteligentes que os filhos mais novos de uma família.
A média, vá lá, não é assim tão alta: cerca de 2,3 pontos a mais no quociente de inteligência, o famigerado QI.
Mas o estudo, realizado por uma dupla de pesquisadores da Noruega, traz mais do que uma justificativa para a inveja dos caçulas: numa população grande, esses míseros 2,3 pontos podem fazer a diferença entre um irmão entrar numa boa universidade e o outro não.
"Em indivíduos, isso tem um poder de predição muito baixo", tranqüiliza Petter Kristensen, do Instituto Nacional de Saúde Ocupacional da Noruega e co-autor do estudo. "Num grupo de 60 mil pessoas, a chance de acesso à educação superior seria de 57% para o irmão mais velho e 43% para os caçulas --uma diferença muito pequena", explica.
Para chegar a essa conclusão, publicada hoje na revista "Science", Kristensen e Tor Bjerkedal, da Universidade de Oslo, analisaram dados de 250 mil noruegueses. Quase todos tinham entre 18 e 19 anos, idade em que se presta o equivalente ao vestibular no país.
"No começo eu achava que isso fosse uma ilusão estatística", diz Kristensen. "Mas depois eu vi que o efeito é real."
A relação entre a ordem de nascimento e a inteligência faz parte de um certo folclore familiar. "Estudos têm mostrado que os primeiros filhos são qualificados por eles mesmos, seus pais e seus irmãos como sendo mais disciplinados, mais esforçados e mais inteligentes", diz o psicólogo Frank Sulloway, da Universidade de Berkeley (EUA), que comentou o estudo.
O primeiro a tentar estabelecê-la numa base científica foi o britânico Francis Galton (1822-1911), primo de Charles Darwin (mais famoso por ter elaborado o conceito de eugenia). Depois, vários cientistas se dedicaram ao tema. Um estudo de 1973 na Holanda chegou a estabelecer essa relação, mas recebeu uma saraivada de críticas.
Primeiro, muitos achavam que o tamanho da família fizesse diferença (famílias com crianças menos inteligentes tendem a ser grandes). Efeitos biológicos --como a produção de anticorpos pela mãe no primeiro parto que afetassem o cérebro dos outros filhos-- também foram propostos. Depois, outros estudos, com crianças mais novas, deram o resultado oposto.
Na amostra de Kristensen e Bjerkendal, no entanto, o padrão é consistente. E, o mais revelador: filhos de famílias cujos primogênitos morriam e que eram criados no papel de mais velhos também mostravam maior QI --descartando-se, assim, efeitos biológicos.
Para Sulloway, parte da explicação para o QI dos primogênitos pode estar na diluição dos recursos familiares. "Tipicamente, os mais novos estão em desvantagem na obtenção de recursos importantes: tendem a ser menos vacinados, são mais baixos e pesam menos." Outra parte, ironicamente, pode estar nos caçulas. Ensinar irmãos mais novos deve beneficiar mais o tutor que o aprendiz, já que o ensino ajuda a organizar e expressar idéias.
"Pode ser isso, sim", afirma Kristensen, que prefere não arriscar uma hipótese.
O norueguês, ele mesmo filho mais novo, diz que não acha seu irmão mais velho mais inteligente. "Só sei que ele ficou feliz com o estudo", espeta.
CLAUDIO ANGELOEditor de Ciência da Folha de S.Paulo
Você acha seu irmão mais velho um metido? Pois acostume-se: um estudo publicado hoje mostra que os primogênitos realmente são, em média, mais inteligentes que os filhos mais novos de uma família.
A média, vá lá, não é assim tão alta: cerca de 2,3 pontos a mais no quociente de inteligência, o famigerado QI.
Mas o estudo, realizado por uma dupla de pesquisadores da Noruega, traz mais do que uma justificativa para a inveja dos caçulas: numa população grande, esses míseros 2,3 pontos podem fazer a diferença entre um irmão entrar numa boa universidade e o outro não.
"Em indivíduos, isso tem um poder de predição muito baixo", tranqüiliza Petter Kristensen, do Instituto Nacional de Saúde Ocupacional da Noruega e co-autor do estudo. "Num grupo de 60 mil pessoas, a chance de acesso à educação superior seria de 57% para o irmão mais velho e 43% para os caçulas --uma diferença muito pequena", explica.
Para chegar a essa conclusão, publicada hoje na revista "Science", Kristensen e Tor Bjerkedal, da Universidade de Oslo, analisaram dados de 250 mil noruegueses. Quase todos tinham entre 18 e 19 anos, idade em que se presta o equivalente ao vestibular no país.
"No começo eu achava que isso fosse uma ilusão estatística", diz Kristensen. "Mas depois eu vi que o efeito é real."
A relação entre a ordem de nascimento e a inteligência faz parte de um certo folclore familiar. "Estudos têm mostrado que os primeiros filhos são qualificados por eles mesmos, seus pais e seus irmãos como sendo mais disciplinados, mais esforçados e mais inteligentes", diz o psicólogo Frank Sulloway, da Universidade de Berkeley (EUA), que comentou o estudo.
O primeiro a tentar estabelecê-la numa base científica foi o britânico Francis Galton (1822-1911), primo de Charles Darwin (mais famoso por ter elaborado o conceito de eugenia). Depois, vários cientistas se dedicaram ao tema. Um estudo de 1973 na Holanda chegou a estabelecer essa relação, mas recebeu uma saraivada de críticas.
Primeiro, muitos achavam que o tamanho da família fizesse diferença (famílias com crianças menos inteligentes tendem a ser grandes). Efeitos biológicos --como a produção de anticorpos pela mãe no primeiro parto que afetassem o cérebro dos outros filhos-- também foram propostos. Depois, outros estudos, com crianças mais novas, deram o resultado oposto.
Na amostra de Kristensen e Bjerkendal, no entanto, o padrão é consistente. E, o mais revelador: filhos de famílias cujos primogênitos morriam e que eram criados no papel de mais velhos também mostravam maior QI --descartando-se, assim, efeitos biológicos.
Para Sulloway, parte da explicação para o QI dos primogênitos pode estar na diluição dos recursos familiares. "Tipicamente, os mais novos estão em desvantagem na obtenção de recursos importantes: tendem a ser menos vacinados, são mais baixos e pesam menos." Outra parte, ironicamente, pode estar nos caçulas. Ensinar irmãos mais novos deve beneficiar mais o tutor que o aprendiz, já que o ensino ajuda a organizar e expressar idéias.
"Pode ser isso, sim", afirma Kristensen, que prefere não arriscar uma hipótese.
O norueguês, ele mesmo filho mais novo, diz que não acha seu irmão mais velho mais inteligente. "Só sei que ele ficou feliz com o estudo", espeta.
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