Mensagem do dia 14/05/2008
Quando Deus Criou as Mães
Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou dele e lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação. Em que, afinal de contas, ela era tão especial? O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado. Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado. Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse. Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada. Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido quase insignificante numa roupa especial para a festinha da escola. Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado. Outro par para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: "eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo", mesmo sem dizer nenhuma palavra. O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora. Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos, de superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor. Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade. Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas ainda assim insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior. Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão. Uma mulher de lábios ternos que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas. Lábios que soubessem falar de Deus, do universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida. Uma mulher. Uma mãe.
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Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem. Enquanto houver mães na terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Mensagem do dia 13/05/2008
Quando os Filhos Crescem
Há um momento, na vida dos pais, em que eles se sentem órfãos. Os filhos, dizem eles, crescem de um momento para outro. É paradoxal. Quando nascem pequenos e frágeis os primeiros meses parecem intermináveis. Pai e mãe se revezam à cata de respostas aos seus estímulos nos rostinhos miúdos. Desejam que eles sorriam, que agitem os bracinhos, que sentem, fiquem em pé, andem, tudo é uma ansiosa expectativa. Então, um dia, de repente, ei-los adolescentes. Não mais os passeios com os pais nos finais de semana nem férias compartilhadas em família. Agora tudo é feito com os amigos. Olham para o rosto do menino e surpreendem os primeiros fios de barba, como a mãe passarinho descobre a penugem nas asas dos filhotes. A menina se transforma em mulher. É o momento dos vôos para além do ninho doméstico. É o momento em que os pais se perguntam: onde estão aqueles bebês com cheirinho de leite e fralda molhada? Onde estão os brinquedos do faz-de-conta, os chás de nada, os heróis invencíveis que tudo conseguiam, em suas batalhas imaginárias contra o mal? As viagens para a praia e o campo já não são tão sonoras. A cantoria infantil e os eternos pedidos de sorvetes, doces, pipoca foram substituídos pelo mutismo ou a conversa animada com os amigos com que compartilham sua alegria. Os pais se sentem órfãos de filhos. Seus pequenos cresceram sem que eles possam precisar quando. Ontem eram crianças trazendo a bola para ser consertada. Hoje são os que lhes ensinam como operar o computador e melhor explorar os programas que se encontram à disposição. A impressão é que dormiram crianças e despertaram adolescentes, como num passe de mágica. Ontem estavam no banco de trás do automóvel, hoje estão ao volante, dando aulas de correta condução no trânsito. É o momento da saudade dos dias que se foram, tão rápidos. É o momento em que sentimos que poderíamos ter deixado de lado afazeres sempre contínuos e brincado mais com eles, rolando na grama, jogando futebol. Deveríamos tê-los ouvido mais, deliciando-nos com o relato de suas conquistas e aventuras, suas primeiras decepções, seus medos. Tê-los levado mais ao cinema, desfrutando das suas vibrações ante o heroísmo dos galãs da tela. Tempos que não retornam a não ser na figura dos netos que nos compete esperar. Pais, estejamos mais com nossos filhos. A existência é breve e as oportunidades preciosas. Tudo o mais que tenhamos e que nos preencha o tempo não compensará as horas dedicadas aos espíritos que se amoldaram nos corpos dos nossos pequenos, para estar conosco. Não economizemos abraços, carícias, atenções porque nosso procedimento para com eles lhes determinará a felicidade do crescimento proveitoso ou a tristeza dos dias inúteis do futuro.
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A criança criada com carinho aprende a ser afetuosa. A mensagem da atenção ao próximo é passada pelos pais aos filhos. No dia-a-dia com os pais eles aprendem que o ser humano e seus sentimentos são mais importantes do que o simples sucesso profissional e todos os seus acessórios. Em essência, as crianças aprendem o que vivem.
Quando os Filhos Crescem
Há um momento, na vida dos pais, em que eles se sentem órfãos. Os filhos, dizem eles, crescem de um momento para outro. É paradoxal. Quando nascem pequenos e frágeis os primeiros meses parecem intermináveis. Pai e mãe se revezam à cata de respostas aos seus estímulos nos rostinhos miúdos. Desejam que eles sorriam, que agitem os bracinhos, que sentem, fiquem em pé, andem, tudo é uma ansiosa expectativa. Então, um dia, de repente, ei-los adolescentes. Não mais os passeios com os pais nos finais de semana nem férias compartilhadas em família. Agora tudo é feito com os amigos. Olham para o rosto do menino e surpreendem os primeiros fios de barba, como a mãe passarinho descobre a penugem nas asas dos filhotes. A menina se transforma em mulher. É o momento dos vôos para além do ninho doméstico. É o momento em que os pais se perguntam: onde estão aqueles bebês com cheirinho de leite e fralda molhada? Onde estão os brinquedos do faz-de-conta, os chás de nada, os heróis invencíveis que tudo conseguiam, em suas batalhas imaginárias contra o mal? As viagens para a praia e o campo já não são tão sonoras. A cantoria infantil e os eternos pedidos de sorvetes, doces, pipoca foram substituídos pelo mutismo ou a conversa animada com os amigos com que compartilham sua alegria. Os pais se sentem órfãos de filhos. Seus pequenos cresceram sem que eles possam precisar quando. Ontem eram crianças trazendo a bola para ser consertada. Hoje são os que lhes ensinam como operar o computador e melhor explorar os programas que se encontram à disposição. A impressão é que dormiram crianças e despertaram adolescentes, como num passe de mágica. Ontem estavam no banco de trás do automóvel, hoje estão ao volante, dando aulas de correta condução no trânsito. É o momento da saudade dos dias que se foram, tão rápidos. É o momento em que sentimos que poderíamos ter deixado de lado afazeres sempre contínuos e brincado mais com eles, rolando na grama, jogando futebol. Deveríamos tê-los ouvido mais, deliciando-nos com o relato de suas conquistas e aventuras, suas primeiras decepções, seus medos. Tê-los levado mais ao cinema, desfrutando das suas vibrações ante o heroísmo dos galãs da tela. Tempos que não retornam a não ser na figura dos netos que nos compete esperar. Pais, estejamos mais com nossos filhos. A existência é breve e as oportunidades preciosas. Tudo o mais que tenhamos e que nos preencha o tempo não compensará as horas dedicadas aos espíritos que se amoldaram nos corpos dos nossos pequenos, para estar conosco. Não economizemos abraços, carícias, atenções porque nosso procedimento para com eles lhes determinará a felicidade do crescimento proveitoso ou a tristeza dos dias inúteis do futuro.
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A criança criada com carinho aprende a ser afetuosa. A mensagem da atenção ao próximo é passada pelos pais aos filhos. No dia-a-dia com os pais eles aprendem que o ser humano e seus sentimentos são mais importantes do que o simples sucesso profissional e todos os seus acessórios. Em essência, as crianças aprendem o que vivem.
Mensagem do dia 12/05/2008
Esforço Individual
Você já pensou no valor do esforço individual? Uma demonstração desse valor foi realizada numa noite escura, sem estrelas, durante um comício patriótico no Coliseu de Los Ângeles. Havia cerca de cem mil pessoas reunidas no local, quando o presidente avisou que todas as luzes seriam apagadas. Disse que, embora ficassem na mais completa escuridão, não havia motivo para receio. Quando as luzes se apagaram e as trevas tomaram conta do ambiente, ele riscou um fósforo e perguntou à multidão: "quem estiver vendo esta pequenina luz queira exclamar: sim!" Um vozerio ensurdecedor partiu da assistência. Todos percebiam aquela minúscula chama. O silêncio se fez novamente e o homem falou: "assim também fulgura um ato de bondade num mundo de maldade." E insistindo em suas idéias, lançou um desafio: "vejamos agora o que acontece se cada um de nós acender um palito de fósforo." Num instante, quase cem mil minúsculas chamas banharam de luz a imensa arena, fruto da colaboração de cem mil indivíduos, cada um fazendo a parte que lhe tocava. Essa foi a maneira singela que um homem utilizou para despertar nos indivíduos o valor do esforço pessoal. Geralmente, na busca de soluções para os problemas, imaginamos que somente grandes feitos poderão ter um resultado eficiente. Quando olhamos uma imensa montanha, por exemplo, concluímos que muito trabalho foi preciso para que ela tomasse as dimensões que possui, mas nos esquecemos de que ela é formada de pequenos grãos de areia. Olhando o mundo sob esse ponto de vista, e fazendo a parte que nos cabe, em pouco tempo teríamos um mundo melhor. Mas se pensarmos que somos incapazes de mudar o mundo, o mundo permanecerá como está por muito tempo. Todos temos valores íntimos a explorar. Todos temos condições de contribuir com uma parcela para a melhoria do mundo em que vivemos. Como pudemos perceber, um palito de fósforo aceso, é capaz de derrotar as trevas. Pode ser uma pequena chama, mas a sua claridade é percebida à grande distância. Jesus falou das possibilidades individuais de cada um com a recomendação: "brilhe a vossa luz." Assim, quando a situação se apresentar nublada em derredor, podemos acender a nossa pequena chama e romper com a escuridão. Não importa a situação em que estamos colocados, sempre poderemos fazer algo de bom em benefício de todos. Cada indivíduo é uma engrenagem inteligente agindo no contexto da máquina social. E a máquina somente funcionará em harmonia e atingirá seus objetivos se todas as peças cumprirem a parte que lhes cabe.
Esforço Individual
Você já pensou no valor do esforço individual? Uma demonstração desse valor foi realizada numa noite escura, sem estrelas, durante um comício patriótico no Coliseu de Los Ângeles. Havia cerca de cem mil pessoas reunidas no local, quando o presidente avisou que todas as luzes seriam apagadas. Disse que, embora ficassem na mais completa escuridão, não havia motivo para receio. Quando as luzes se apagaram e as trevas tomaram conta do ambiente, ele riscou um fósforo e perguntou à multidão: "quem estiver vendo esta pequenina luz queira exclamar: sim!" Um vozerio ensurdecedor partiu da assistência. Todos percebiam aquela minúscula chama. O silêncio se fez novamente e o homem falou: "assim também fulgura um ato de bondade num mundo de maldade." E insistindo em suas idéias, lançou um desafio: "vejamos agora o que acontece se cada um de nós acender um palito de fósforo." Num instante, quase cem mil minúsculas chamas banharam de luz a imensa arena, fruto da colaboração de cem mil indivíduos, cada um fazendo a parte que lhe tocava. Essa foi a maneira singela que um homem utilizou para despertar nos indivíduos o valor do esforço pessoal. Geralmente, na busca de soluções para os problemas, imaginamos que somente grandes feitos poderão ter um resultado eficiente. Quando olhamos uma imensa montanha, por exemplo, concluímos que muito trabalho foi preciso para que ela tomasse as dimensões que possui, mas nos esquecemos de que ela é formada de pequenos grãos de areia. Olhando o mundo sob esse ponto de vista, e fazendo a parte que nos cabe, em pouco tempo teríamos um mundo melhor. Mas se pensarmos que somos incapazes de mudar o mundo, o mundo permanecerá como está por muito tempo. Todos temos valores íntimos a explorar. Todos temos condições de contribuir com uma parcela para a melhoria do mundo em que vivemos. Como pudemos perceber, um palito de fósforo aceso, é capaz de derrotar as trevas. Pode ser uma pequena chama, mas a sua claridade é percebida à grande distância. Jesus falou das possibilidades individuais de cada um com a recomendação: "brilhe a vossa luz." Assim, quando a situação se apresentar nublada em derredor, podemos acender a nossa pequena chama e romper com a escuridão. Não importa a situação em que estamos colocados, sempre poderemos fazer algo de bom em benefício de todos. Cada indivíduo é uma engrenagem inteligente agindo no contexto da máquina social. E a máquina somente funcionará em harmonia e atingirá seus objetivos se todas as peças cumprirem a parte que lhes cabe.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Mensagem do dia 01/05/2008
Amor Eterno
Você gosta do meu vestido?, perguntou uma menina para uma estranha que passava.- Minha mãe fez para mim! Comentou com uma lágrima nos olhos.
- Bem, eu acho que é muito bonito. Mas me conte porque você está chorando, disse a senhora.
Com um ligeiro tremor na voz a menina falou:- Depois que mamãe me fez este vestido, ela teve que ir embora. - Bem, disse a senhora, agora você deve ficar esperando por ela. Estou certa que ela voltará em breve. - Não senhora, a senhora não entendeu. Meu pai disse a mamãe está com meu avô, no céu.
Finalmente, a mulher percebeu o que a criança estava dizendo e porque estava choramingando. Comovida, ajoelhou-se e, carinhosamente, embalou a criança nos braços. Acariciando-a, chorou baixinho com ela.
Então, de repente, a menina fez algo que a mulher achou muito estranho: começou a cantar. Cantava tão suavemente que era quase um sussurro. Era o mais doce som que a mulher já tinha ouvido. Parecia a canção de um pássaro.
Quando a criança parou de cantar, explicou para a senhora. - Minha mãe cantou esta canção para mim antes de ir embora. Ela me fez prometer sempre cantar quando começasse a chorar, porque isso me faria parar.
Veja, exclamou a criança, cantei e agora os meus olhos estão secos. Quando a mulher se virou para ir embora, a pequena menina se agarrou na sua roupa.
- Senhora, pode ficar apenas mais um minuto? Quero lhe mostrar uma coisa. - Claro que sim, falou a dama. O que você quer que eu veja? Apontando para uma mancha no seu vestidinho, a menina falou:
- Aqui está a marca onde minha mãe beijou meu vestido. E aqui, disse, apontando outra mancha, é outro beijo, e aqui, e aqui. A mamãe disse que colocou todos esses beijos em meu vestido para que eu sempre tenha seus beijos se algo me fizesse chorar.
Naquele momento a senhora percebeu que não estava apenas olhando para uma criança, cuja mãe sabia que iria partir e que não estaria presente, fisicamente, para beijar as lesões que a filha viesse a ter. Aquela mãe havia gravado todo seu amor no vestido da sua pequena e encantadora criança. Vestido que agora a menina usava tão orgulhosamente.
A mulher já não via apenas uma pequena menina dentro de um simples vestido. Via uma criança embrulhada no amor de sua mãe. A morte a todos alcança. Preparar-se para recebe-la com dignidade, preparando igualmente os que permanecerão na terra por mais tempo, demonstra altruísmo e grandeza de alma.
Como Jesus nos afirmou que nenhum de nós sabe exatamente a hora em que terá que partir, importante que distribuamos o nosso amor e vivamos as nossas vidas em totalidade. Assim, quando tivermos que partir, as lembranças do que fomos e do que fizemos, aquecerão as almas dos nossos amores, amenizando o vazio da nossa ausência física.
Pensemos nisso!
Amor Eterno
Você gosta do meu vestido?, perguntou uma menina para uma estranha que passava.- Minha mãe fez para mim! Comentou com uma lágrima nos olhos.
- Bem, eu acho que é muito bonito. Mas me conte porque você está chorando, disse a senhora.
Com um ligeiro tremor na voz a menina falou:- Depois que mamãe me fez este vestido, ela teve que ir embora. - Bem, disse a senhora, agora você deve ficar esperando por ela. Estou certa que ela voltará em breve. - Não senhora, a senhora não entendeu. Meu pai disse a mamãe está com meu avô, no céu.
Finalmente, a mulher percebeu o que a criança estava dizendo e porque estava choramingando. Comovida, ajoelhou-se e, carinhosamente, embalou a criança nos braços. Acariciando-a, chorou baixinho com ela.
Então, de repente, a menina fez algo que a mulher achou muito estranho: começou a cantar. Cantava tão suavemente que era quase um sussurro. Era o mais doce som que a mulher já tinha ouvido. Parecia a canção de um pássaro.
Quando a criança parou de cantar, explicou para a senhora. - Minha mãe cantou esta canção para mim antes de ir embora. Ela me fez prometer sempre cantar quando começasse a chorar, porque isso me faria parar.
Veja, exclamou a criança, cantei e agora os meus olhos estão secos. Quando a mulher se virou para ir embora, a pequena menina se agarrou na sua roupa.
- Senhora, pode ficar apenas mais um minuto? Quero lhe mostrar uma coisa. - Claro que sim, falou a dama. O que você quer que eu veja? Apontando para uma mancha no seu vestidinho, a menina falou:
- Aqui está a marca onde minha mãe beijou meu vestido. E aqui, disse, apontando outra mancha, é outro beijo, e aqui, e aqui. A mamãe disse que colocou todos esses beijos em meu vestido para que eu sempre tenha seus beijos se algo me fizesse chorar.
Naquele momento a senhora percebeu que não estava apenas olhando para uma criança, cuja mãe sabia que iria partir e que não estaria presente, fisicamente, para beijar as lesões que a filha viesse a ter. Aquela mãe havia gravado todo seu amor no vestido da sua pequena e encantadora criança. Vestido que agora a menina usava tão orgulhosamente.
A mulher já não via apenas uma pequena menina dentro de um simples vestido. Via uma criança embrulhada no amor de sua mãe. A morte a todos alcança. Preparar-se para recebe-la com dignidade, preparando igualmente os que permanecerão na terra por mais tempo, demonstra altruísmo e grandeza de alma.
Como Jesus nos afirmou que nenhum de nós sabe exatamente a hora em que terá que partir, importante que distribuamos o nosso amor e vivamos as nossas vidas em totalidade. Assim, quando tivermos que partir, as lembranças do que fomos e do que fizemos, aquecerão as almas dos nossos amores, amenizando o vazio da nossa ausência física.
Pensemos nisso!
UM CAPÍTULO DA MINHA HISTÓRIA
Na década de 70, numa banca de jornais, ouvi um cidadão pousar os olhos sobre o antigo Pasquim e dizer pouco mais alto que um sussurro, assim, entre os lábios, e cheguei até a achar que era para que eu ouvisse:
- “Ziraldo e Jaguar. Esses são jornalistas...independentes...nacionalistas mesmo...combatentes...sem compromisso para com essa ditadura” !
Como suas reflexões não mereciam atenção e nem respeito, mesmo porque não passavam de ideológicas em torno de dois circunstantes da imprensa alternativa que, por suas vezes, buscavam vantagens e não fixar idéias de patriotismo, achei que não valeria a pena polemizar. Mas, hoje, gostaria de ver “sua cara” diante da exploração da bolsa popular de parte de “seus ídolos” Ziraldo e Jaguar, que avançaram no dinheiro do povo, se dizendo vítimas do que insistem em afirmar ter sido “ditadura”. Tungaram agora um milhão cada um e vão levar, de forma vitalícia, mensalmente, um salário considerável, acima do salário de qualquer aposentado comum. Vítimas de que ? A história que tentam emplacar carece de detalhes convincentes. Mas, serve para lembrar de episódio que viví, em 1964, quando trabalhava na Rádio Farroupilha de Porto Alegre (que era para o RGS o que vem a ser a Rede Globo, hoje, para o Brasil). Sete e meia da manhã e Arthur Godoy, plantão técnico, foi ter comigo no estúdio, enquanto no ar era apresentado por Henrique Xavier o programa Alo Rio Grande. Godoy me disse que Leonel Brizola estava na portaria, cercado de gente e havia solicitado a minha presença, eu que era o plantão geral da emissora aquela hora. Em principio pensei se tratar de primeiro de abril, pois estávamos no primeiro de abril. Mas ao sair do estúdio e olhar pelo corredor, realmente constatei que “o homem” estava mesmo lá e, para lá me dirigi. Bati em seu ombro, Brizola virou para mim como que perguntando ao me ver – sem perguntar – quem eu era, me adiantei e indaguei se desejava falar comigo, pois era eu o encarregado da radio naquele horário. Brizola abriu os braços, me abraçou e me chamou de “meu amigo”. Ato contínuo, sacou do bolso uma cadernetinha de notas (aquela época não havia essas agendas eletrônicas, etc.) uma caneta e perguntou como era mesmo meu nome. Disse-lhe que me chamava Paulo Martins e ele, perspicaz, retrucou afirmando que sabia (havia me chamado de “meu amigo”, como não saber o nome de um amigo?)...mas queria,, sim, o nome completo. Bela “saída”...bela estratégia...Dei-lhe meu nome completo, ele anotou na cadernetinha, colocou-a no bolso e sentenciou:
- Vamos desmanchar essa “cadeia do Meneghetti” (era o governador do RGS que havia requisitado as emissoras para uma cadeia de radio) e atiçar a da legalidade. Tomou-me pelo braço, entrou pelo corredor e fomos para o estúdio. Interrompi o Xavier no “Alo Rio Grande” (programa de avisos para o interior) sentei-me ao microfone da direita do estúdio e Leonel Brizola no da esquerda. Eldio Macedo, hoje no Rio de Janeiro, abriu o departamento de esportes e ali determinou que fosse o gabinete de imprensa. Anunciei a Cadeia da Legalidade, o pronunciamento do deputado federal Leonel de Moura Brizola e, a partir dali, Brizola falava de improviso e lá do “gabinete de imprensa” vinham as notas datilografadas, para serem lidas. Era eu quem as lia e Brizola pedia para fazê-lo com ênfase. Estúdio lotado, caras feiras, barbudos, caras limpas, outras bonitas quando femininas, era uma espécie de “miscigenação”, uma “mistura de espécies”, um bando composto de todo tipo de gente. Brizola falava, eles aplaudiam e gritavam palavras de ordem....eu lia uma das notas...eles aplaudiam e gritavam palavras de ordem. Lá pelas dez horas da manhã, cansado, pressionado, sem entender direito o que poderia ocorrer ou para onde tudo estava sendo conduzido, e observando que dezenas de colegas locutores chegavam e pretendiam participar “daquele circo”, tentei levantar para dar lugar ao colega Elias Soares que se dispunha a continuar o trabalho até ali por mim exercido. Ao cogitar levantar da cadeira, Brizola colocou sua mão em meu ombro e disse, com energia e peremptoriamente:
- Você não sai daqui e não dê o lugar pra ninguém...anotei aqui na minha caderneta que você é o locutor oficial do Dr.João Goulart, Presidente da República. Não houve alternativa e, ali fiquei, lendo notas e mais notas, até doze horas e dez minutos quando, então, sim, Brizola levantou e me disse que eu deveria ir para a Prefeitura (Sereno Chaise era o prefeito) e lá montar o Q.G. da legalidade. E saiu, enquanto o hino da legalidade tocava. Foi então que apareceu o Lauro Haggmann, locutor titular do Repórter Esso e me disse que eu poderia ir para casa que lá na prefeitura tudo já estava montado e que eles “tocariam o barco” (sua expressão) dali pra frente. Aliviado, fui para casa, passando antes no apartamento do diretor geral da Farroupilha, Sergio Jockman, para relatar-lhe o que havia ocorrido. Daí a história tem seqüência, mas fica para outra vez, o que quero evidenciar é que, à época eu ganhava dezoito mil cruzeiros de salário para exercer as funções de locutor de estúdio – narrador de futebol – locutor de notícias – ator de novelas e locutor de programas de auditório. E, só para apresentar como titular um informativo tradicional – o Informativo Província – patrocínio do Banco da Província, recebia vinte mil cruzeiros. Era um cachê, ou seja, por fora do salário. Diferença incontestável, principalmente em relação à função simples pelo cachê, em comparação com as múltiplas funções que exercia pelo salário menor. A agência que me pagava o cachê de vinte mil cruzeiros era a McannEricson. Pois bem, depois que o “circo desabou” a agência cortou o meu cachê e eu, economicamente tubulei. E cortou por que ? Porque entendeu que eu, por mais que explicasse que havia sido praticamente seqüestrado, teria dado “muita vida, ênfase demais” nas notas que lia, sem aceitar que era minha obrigação como profissional. O cachê foi canalizado, a partir de então, para o colega Heitor Mendes. Minha “história é histórica” e poderá ser perfeitamente comprovada, já que nomes estão sendo citados e, a agência McannErickson ainda opera até hoje. Mesmo assim, não me entendi com direito de ir aos cofres públicos pedir ressarcimento, ao contrário de Ziraldo e Jaguar, “aqueles dois patriotas que certa ocasião foram elogiados por um comunista numa banca de jornal”.
(Paulo Martins)
Na década de 70, numa banca de jornais, ouvi um cidadão pousar os olhos sobre o antigo Pasquim e dizer pouco mais alto que um sussurro, assim, entre os lábios, e cheguei até a achar que era para que eu ouvisse:
- “Ziraldo e Jaguar. Esses são jornalistas...independentes...nacionalistas mesmo...combatentes...sem compromisso para com essa ditadura” !
Como suas reflexões não mereciam atenção e nem respeito, mesmo porque não passavam de ideológicas em torno de dois circunstantes da imprensa alternativa que, por suas vezes, buscavam vantagens e não fixar idéias de patriotismo, achei que não valeria a pena polemizar. Mas, hoje, gostaria de ver “sua cara” diante da exploração da bolsa popular de parte de “seus ídolos” Ziraldo e Jaguar, que avançaram no dinheiro do povo, se dizendo vítimas do que insistem em afirmar ter sido “ditadura”. Tungaram agora um milhão cada um e vão levar, de forma vitalícia, mensalmente, um salário considerável, acima do salário de qualquer aposentado comum. Vítimas de que ? A história que tentam emplacar carece de detalhes convincentes. Mas, serve para lembrar de episódio que viví, em 1964, quando trabalhava na Rádio Farroupilha de Porto Alegre (que era para o RGS o que vem a ser a Rede Globo, hoje, para o Brasil). Sete e meia da manhã e Arthur Godoy, plantão técnico, foi ter comigo no estúdio, enquanto no ar era apresentado por Henrique Xavier o programa Alo Rio Grande. Godoy me disse que Leonel Brizola estava na portaria, cercado de gente e havia solicitado a minha presença, eu que era o plantão geral da emissora aquela hora. Em principio pensei se tratar de primeiro de abril, pois estávamos no primeiro de abril. Mas ao sair do estúdio e olhar pelo corredor, realmente constatei que “o homem” estava mesmo lá e, para lá me dirigi. Bati em seu ombro, Brizola virou para mim como que perguntando ao me ver – sem perguntar – quem eu era, me adiantei e indaguei se desejava falar comigo, pois era eu o encarregado da radio naquele horário. Brizola abriu os braços, me abraçou e me chamou de “meu amigo”. Ato contínuo, sacou do bolso uma cadernetinha de notas (aquela época não havia essas agendas eletrônicas, etc.) uma caneta e perguntou como era mesmo meu nome. Disse-lhe que me chamava Paulo Martins e ele, perspicaz, retrucou afirmando que sabia (havia me chamado de “meu amigo”, como não saber o nome de um amigo?)...mas queria,, sim, o nome completo. Bela “saída”...bela estratégia...Dei-lhe meu nome completo, ele anotou na cadernetinha, colocou-a no bolso e sentenciou:
- Vamos desmanchar essa “cadeia do Meneghetti” (era o governador do RGS que havia requisitado as emissoras para uma cadeia de radio) e atiçar a da legalidade. Tomou-me pelo braço, entrou pelo corredor e fomos para o estúdio. Interrompi o Xavier no “Alo Rio Grande” (programa de avisos para o interior) sentei-me ao microfone da direita do estúdio e Leonel Brizola no da esquerda. Eldio Macedo, hoje no Rio de Janeiro, abriu o departamento de esportes e ali determinou que fosse o gabinete de imprensa. Anunciei a Cadeia da Legalidade, o pronunciamento do deputado federal Leonel de Moura Brizola e, a partir dali, Brizola falava de improviso e lá do “gabinete de imprensa” vinham as notas datilografadas, para serem lidas. Era eu quem as lia e Brizola pedia para fazê-lo com ênfase. Estúdio lotado, caras feiras, barbudos, caras limpas, outras bonitas quando femininas, era uma espécie de “miscigenação”, uma “mistura de espécies”, um bando composto de todo tipo de gente. Brizola falava, eles aplaudiam e gritavam palavras de ordem....eu lia uma das notas...eles aplaudiam e gritavam palavras de ordem. Lá pelas dez horas da manhã, cansado, pressionado, sem entender direito o que poderia ocorrer ou para onde tudo estava sendo conduzido, e observando que dezenas de colegas locutores chegavam e pretendiam participar “daquele circo”, tentei levantar para dar lugar ao colega Elias Soares que se dispunha a continuar o trabalho até ali por mim exercido. Ao cogitar levantar da cadeira, Brizola colocou sua mão em meu ombro e disse, com energia e peremptoriamente:
- Você não sai daqui e não dê o lugar pra ninguém...anotei aqui na minha caderneta que você é o locutor oficial do Dr.João Goulart, Presidente da República. Não houve alternativa e, ali fiquei, lendo notas e mais notas, até doze horas e dez minutos quando, então, sim, Brizola levantou e me disse que eu deveria ir para a Prefeitura (Sereno Chaise era o prefeito) e lá montar o Q.G. da legalidade. E saiu, enquanto o hino da legalidade tocava. Foi então que apareceu o Lauro Haggmann, locutor titular do Repórter Esso e me disse que eu poderia ir para casa que lá na prefeitura tudo já estava montado e que eles “tocariam o barco” (sua expressão) dali pra frente. Aliviado, fui para casa, passando antes no apartamento do diretor geral da Farroupilha, Sergio Jockman, para relatar-lhe o que havia ocorrido. Daí a história tem seqüência, mas fica para outra vez, o que quero evidenciar é que, à época eu ganhava dezoito mil cruzeiros de salário para exercer as funções de locutor de estúdio – narrador de futebol – locutor de notícias – ator de novelas e locutor de programas de auditório. E, só para apresentar como titular um informativo tradicional – o Informativo Província – patrocínio do Banco da Província, recebia vinte mil cruzeiros. Era um cachê, ou seja, por fora do salário. Diferença incontestável, principalmente em relação à função simples pelo cachê, em comparação com as múltiplas funções que exercia pelo salário menor. A agência que me pagava o cachê de vinte mil cruzeiros era a McannEricson. Pois bem, depois que o “circo desabou” a agência cortou o meu cachê e eu, economicamente tubulei. E cortou por que ? Porque entendeu que eu, por mais que explicasse que havia sido praticamente seqüestrado, teria dado “muita vida, ênfase demais” nas notas que lia, sem aceitar que era minha obrigação como profissional. O cachê foi canalizado, a partir de então, para o colega Heitor Mendes. Minha “história é histórica” e poderá ser perfeitamente comprovada, já que nomes estão sendo citados e, a agência McannErickson ainda opera até hoje. Mesmo assim, não me entendi com direito de ir aos cofres públicos pedir ressarcimento, ao contrário de Ziraldo e Jaguar, “aqueles dois patriotas que certa ocasião foram elogiados por um comunista numa banca de jornal”.
(Paulo Martins)
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Mensagem do dia 29/04/2008
Projetos Inacabados
Faz parte da natureza humana sonhar e idealizar as mais variadas realizações. Um hábito muito comum é a lista que se faz no início de cada ano, as famosas "proposições de ano novo". Costuma-se relacionar hábitos nocivos a serem abandonados, cursos a serem iniciados e virtudes a serem adquiridas... Propostas razoáveis e, na maioria das vezes, necessárias ao desenvolvimento daquele ser que as relacionou. No entanto, comumente, antes mesmo da primeira semana do ano acabar, a lista é abandonada em alguma gaveta, juntamente com a disposição sincera de mudança que a havia inspirado. E lá se vão para o esquecimento, mais uma vez, as mudanças prometidas para si mesmo. Quem se espera enganar? Afinal, a proposição de reforma íntima atinge primeiramente ao próprio interessado. Propostas como essas abandonadas lembram projetos que se iniciam e não se realizam. São barcos que jamais alcançam o mar. Textos sem ponto final. Obras que não saem da prancheta de desenho. Músicas jamais executadas. Flores que não desabrocharam. Filhos que não nasceram. Amores inconfessados. Desenhos que nunca tocaram um papel. Promessas não cumpridas. Sonhos abandonados. Os dias passam rápidos. As folhas brotam, crescem e mais adiante caem das árvores, enquanto as pessoas passam seus dias adiando partidas, retardando começos e cancelando mudanças. E o que poderia acontecer de modo voluntário, acaba se tornando obrigatório. A vida, um dia, há de nos cobrar pelas realizações que nos caberiam e que não levamos a termo. Que realizações serão essas? Grandes feitos? Conquistas retumbantes? Não. Por certo, as mais significativas missões que nos foram confiadas têm o objetivo de domar nossas próprias imperfeições. "Ah! Mas é tão difícil vencer hábitos antigos!" - poderíamos argumentar. No entanto, mais difícil ainda será conviver para sempre com costumes infelizes que amargam a nossa existência e a daqueles que nos cercam. Projetos inacabados, por certo, temos vários. Qual deles retomar e concluir de uma vez por todas? Cada um de nós deverá saber qual é o mais urgente e mais viável, por ora. Trata-se de uma decisão intransferível e inadiável. É chegada a hora de realizar e de transformar. É hora de abandonar as desculpas que nos serviram de muletas por tantos séculos, retardando-nos, no mesmo compasso de atraso e de teimosia vã.
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Que o dia de hoje seja uma marca significativa na linha do tempo de nossas existências. Pouco importa que dia da semana seja. Não interessa em que mês do ano estejamos. Não há porque esperar por outra oportunidade. Chances são como brisas que surgem rapidamente e se vão de igual forma. Não há motivo real e justo para permanecer estacionados enquanto a vida nos chama a realizar o bem. Coragem e disposição hão de ser a inspiração que nos faltava. Não amanhã, mas sim, hoje. Não depois, mas sim, a partir de agora.
Mensagem do dia 28/04/2008
A Justiça
Quando criança eu tinha a mania de me sentir sempre injustiçado. Por um ou outro motivo, não me tinham feito justiça, sem perceber que, para mim, a “injustiça” era sempre qualquer restrição feita aos meus desejos, fantasias e vontades. E invariavelmente arrebentava em lágrimas de protesto. Um dia papai me chamou e disse: - Meu filho, vamos combinar uma coisa. Você sabe que papai não gosta de ver você triste, não é? Então nós vamos fazer o seguinte: cada vez que você chorar, escreva num papel a causa. Coloque o papel no vaso azul, ali, sobre a escrivaninha. Deixe passar alguns dias e leia-o. Se achar que o assunto ainda o está aborrecendo, venha a mim, conte-me o caso e eu lhe prometo que corrigirei a injustiça que tiverem feito contra você. Combinado? Estava combinado. Nos primeiros dias eu enchi o vaso azul de anotações. Passadas no preto e branco, minhas queixas me pareciam perfeitamente justificadas. Passaram-se os dias e meu pai voltou a falar comigo. - Você já pode começar a reexaminar os seus papéis. Depois venha falar comigo. Comecei. Mas, estranhamente, constatei que minhas queixas eram banais e que, na realidade, não havia naquilo nada que pudesse motivar aborrecimento. Abreviei o espaço dos dias e, depois, passei a examinar os papéis horas depois dos acontecimentos. Verifiquei que não tinha nenhuma injustiça a exigir a reclamação de papai. E parei de chorar várias vezes ao dia, como estava acostumado a fazer. Hoje compreendo que tudo foi uma brincadeira de papai. Todavia, com grande habilidade ele me levou a refletir antes de agir. E desenvolveu em mim a compreensão a respeito do que é justiça e injustiça em face do nosso egocentrismo, exigência de privilégios e pretensões descabidas. Com isso meu espírito de tolerância ganhou uma amplitude que me tem beneficiado ao longo de toda a vida.
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